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O Vinho Verde une-se.

Adegas cooperativas do vinho verde unem-se em projecto empresarial conjunto.
Sociedade comercial a ser constituída será responsável pela gestão de toda a massa vínica das sete cooperativas aderentes. Gerar economias de escala e valorizar o produto são objectivos.

O modelo empresarial adoptado pelo sector leiteiro vai ter seguimento na área dos vinhos verdes. Num passo pioneiro, sete adegas cooperativas da região vão associar-se para constituir uma sociedade comercial que passará a ser responsável pela vinificação, engarrafamento e comercialização da massa vínica que aquelas estruturas até agora geriam de uma forma individual.
Gerar economias de escala, garantir novos canais de escoamento, valorizar o produto final numa lógica de adaptação às novas tendências do mercado são alguns dos objectivos desta sociedade, que irá assumir a designação Viniverde. O agrupamento integra as cooperativas de Castelo de Paiva, Barcelos, Famalicão, Ponte da Barca, Penafiel, Lousada e Celorico de Basto.
Muitas das cooperativas que alinham neste projecto vivem actualmente situações precárias, com dificuldade em pagar as uvas aos seus associados (que abandonam as fileiras e passam a fornecer produtores privados) e a acumulação de passivos que sufocam a gestão corrente e a prestação de serviços aos cooperantes.
O novo modelo poderá servir, nesse quadro, para dar suporte a um processo de saneamento financeiro das adegas. Esse processo será alavancado nas infra-estruturas (principalmente terrenos) que irão ficar sem utilização e que poderão gerar receitas no mercado. Poderão, ainda, entrar no mercado do imobiliário ou para alugar a empresas que não têm uma capacidade de armazenamento ou transformação adequada às suas necessidades.
Somado, o actual parque de instalações e base tecnológica das adegas tem uma dimensão muito superior àquilo que exige a massa vínica global das sete cooperativas - sete milhões de litros por colheita. Mesmo que novas adesões venham a registar-se, conforme é objectivo dos promotores da sociedade, o potencial instalado será suficiente para responder a esse novo quadro de exigência.
Uma das ideias-fortes do projecto é a profissionalização da gestão da Viniverde, ao contrário do que acontece nos dias de hoje, em que os responsáveis das cooperativas são produtores eleitos que têm de compatibilizar a presença na adega com a manutenção das suas explorações e que, muitas vezes, não possuem uma formação activa para a condução de negócio que exige conhecimentos específicos.
A intenção dos promotores é a contratação de elementos para uma direcção executiva que se vai preocupar com aspectos fulcrais do negócio: a vinificação, a comercialização e o marketing de produto. "Será colocado um particular enfoque na questão enológica, de forma a que os nossos produtos tenham uma maior correspondência com aquilo que os consumidores de nós esperam", afirmou ao PÚBLICO um dos promotores.
Nesse sentido, a sociedade arrancará, numa primeira fase, com base nas marcas que as cooperativas asseguram actualmente, de uma forma individual. Mas uma das tarefas da direcção executiva será, precisamente, a de avaliar se há marcas que devem ser descontinuadas e se há espaço para que surjam outras com novas lógicas de consumo.
O trabalho da direcção executiva será apoiado por um conselho geral e de supervisão, onde terão assento representantes das cooperativas que avançaram para a constituição da Viniverde e de outras que venham a aderir, num outro momento, ao projecto. Há, na região dos vinhos verdes, 18 adegas cooperativas.
A nova sociedade, que irá trabalhar com as uvas dos cooperantes actuais e outros que abandonaram as adegas, vai utilizar uma parte das instalações das adegas aderentes. Mas poderá realizar investimentos, principalmente em tecnologia e recursos humanos.
A massa vínica que estas cooperativas assumem actualmente, cerca de sete milhões de litros de vinho verde, é de cerca de 10 por cento do total que a região demarcada produz. Mas se a nova sociedade conseguir reconquistar muitos dos cooperantes que entretanto abandonaram as fileiras das adegas (devido a atraso no pagamento das uvas ou prática de preços mais baixos), o potencial vínico sobe para os 10 milhões de litros.
in "Público" 19-04-2008 por José Manuel Rocha

www.publico.pt
2008/04/22

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