O CONSÓRCIO Amorim/Remy Martin é o mais bem posicionado para a compra à Diageo da Sandeman, um negócio que deverá conhecer o seu desfecho até ao final do mês de Julho.
A mais importante marca mundial de Vinho do Porto desperta ainda cobiça declarada de outros grupos nacionais e estrangeiros. Já puseram o dedo no ar a Sogrape, a Porto Cruz (grupo francês La Martiniquaise), a Unicer, os italianos da Campari e os espanhóis do Real Tesouro - uma empresa de Jerez de la Frontera controlada por Pepe Estevez. Está também em cima da mesa uma hipótese de Management Buy Out (MBO) liderada por George Sandeman, descendente da família e «chairman» da marca, com financiamento do BIG.
Os 20 milhões de contos pedidos pela Diageo não assustam os potenciais compradores. Além do Vinho do Porto - onde controla perto de 8% do mercado mundial, com uma venda anual de cerca de 750 mil caixas -, a operação portuguesa da Sandeman integra vinhos de mesa (marcas Confradeiro e Terraços do Douro), activos imobiliários e centros de vinificação espalhados pelo Douro (Quinta do Vau), Bombarral (destilados Macieira) e Lamego (espumantes Raposeira). No Jerez, além de quintas e centro de vinificação, vende anualmente 670 mil caixas de sherry com a marca Sandeman.
O grupo Amorim - nascido em finais do século XIX, quando o avô de Américo fundou em Gaia uma fabriqueta para vender rolhas aos ingleses do Vinho do Porto - já tem um pé no sector desde que adquiriu a Burmester, uma companhia prestigiada mas de dimensão liliputiana.
A aliança com a Remy Martin assegura ao grupo Amorim o escoamento internacional dos produtos Sandeman - uma marca com pequena exposição no mercado doméstico e que exige uma máquina bem oleada de distribuição internacional. O perfil da Sandeman no Vinho do Porto é encarado pela Sogrape como complementar. Através das aquisições da Ferreira e da Offley, o maior grupo português do sector de bebidas - 25 milhões de contos de facturação, com a produção repartida entre Portugal e Argentina - ganhou uma forte expressão no mercado interno (onde lidera com uma quota que ronda os 30% do mercado), mas detém apenas cerca de 8% do mercado mundial. Comprando a Sandeman, duplicaria a posição.
A companhia celebrizada pelo Don (o homem da capa negra) está no mercado há mais de um ano, desde que a Vivendi adquiriu a Seagram, multinacional de origem canadiana que no início da década de 80 tomou o controlo da Sandeman à família homónima numa OPA bem sucedida na City.
Foram os activos da Seagram na área do entretenimento (designadamente os estúdios cinematográficos da Universal, bem como a editora musical com o mesmo nome, ex-Polygram) que foram considerados «sexy» pela Vivendi, que pôs à venda a divisão de bebidas do gigante canadiano.
Diageo e Pernod associaram-se para comprar a operação de bebidas da Seagram, que logo trataram de retalhar. A Diageo ficou com a Sandeman, activo que considerou essencial e que imediatamente pôs no mercado. Uma venda ainda não concretizada, porque o negócio da compra da Seagram pela Diaego/Pernod só recebeu luz-verde das autoridades europeias. Falta o «sim» de Washington, condição «sine qua non» para a alienação da Sandeman.
Expresso On Line / Economia de 30/06/2001.
www.expresso.pt
2001/07/20
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