As chuvas de Maio apanharam as vinhas em plena floração e fizeram estragos por todo o País. O resultado é a previsão de uma quebra na produção de vinho da ordem dos 9 a 12%, para um total de 5,3 a 5,5 milhões de hectolitros. Em contrapartida, tudo aponta para uma melhoria da qualidade.
Alentejo e Terras do Sado têm as maiores quebras.
A vindima está à porta mas as perspectivas não são as melhores. A previsão aponta para uma redução da produção na ordem dos 9 a 12%, para um total de 5,3 milhões a 5,5 milhões de hectolitros de vinho. Uma percentagem que poderia parecer relativamente pequena, não fosse o facto de, já na vindima passada, a produção de vinho ter caído 20% em relação à campanha de 2006/2007, quando se produziram 7,5 milhões de hectolitros.
A quebra da actual campanha é resultado de um ano agrícola caracterizado por condições climatéricas poucos estáveis, em especial de chuvas no período de floração, impedindo quer a transformação das flores em fruto, quer o desenvolvimento dos próprios bagos. Houve, ainda, alguns foco de doenças como o míldio e oídio a prejudicar o desenvolvimento das videiras.
À primeira vista, algumas regiões parecem escapar ao desaire produtivo. Trás-os-Montes prevê aumentar a produção em 53% e as Beiras em 18%, mas ambas estão 29% e 33%, respectivamente, abaixo da média dos últimos cinco anos. Na verdade, só o Algarve e a Madeira conseguem, efectivamente, um aumento de produção de vinho este ano, respectivamente, de 10% e 6% já que, face à média dos últimos cinco anos, o aumento é de 6% para a Madeira e 7% para o Algarve.
No Minho, a expectativa aponta para uma estagnação da produção nos valores de 2007/2008, e que são 21% inferiores à media dos últimos cinco anos. Manuel Pinho, presidentes da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes admite que "se espera uma vindima à justa para as necessidades".
A vindima só deverá arrancar lá para a terceira semana de Setembro. "Tudo indica que será um boa colheita mas depende se o tempo se mantém seco", diz.
Já nas regiões mais afectados pelas quebras encontramos terras do Sado e o Alentejo, ambas com uma redução prevista de 30%. Luís Duarte, enólogo com experiência em várias subregiões do Alentejo, reconhece que se sente já no terreno a quebra da produção. "O Baixo Alentejo não está a sentir tanto, mas o Alto Alentejo é capaz até de registar quebras superiores às previstas", refere. Mas, desdramatiza a situação negativa. "Um ano de pouca produção pode ajudar a refazer estratégias e a não ficar com vinho em casa". Por outro lado, diz "se calhar tem a grande vantagem em termos de normalização dos preços à produção, onde todos sentimos os aumentos do preço do petróleo e do custo da inflação nos rótulos, garrafas, etc, mas não conseguimos aumentar preços". Uma garantia fica: "Não acredito que se reflicta nos preços nas prateleiras. O mercado não está fácil e quem tem marcas sabe que isto é inerente ao negócio. Em anos de melhor produtividade incorpora-se os lucros, em anos piores, suportamos os prejuízos", diz Luís Duarte. In DN Online.
Ilídia Pinto
2008/08/29
> Artigos do mesmo autor