
O
Armazém da Linha
teve a sua génese em 1947, na então "Gomes & Teles, Lda.",
sociedade fundada por Américo António Pereira Teles (1908-1998), natural da
freguesia de Verdoejo, e por Maximino Lourenço Gomes (1908-2003),
natural da freguesia de Friestas, ambos do Concelho de Valença do Minho.
Este município está integrado na Região dos Vinhos Verdes,
que faz fronteira com a sub-região do Vinho Alvarinho e com as
Rias-Baixas, denominação de origem dos Vinhos Galegos.

Os fundadores eram descendentes de agricultores e de
comerciantes liberais e republicanos. Foi a sensibilidade vinícola,
a cultura rural e provinciana da região do Minho que os levou a serem
pequenos produtores de vinho, inicialmente para auto-consumo e venda local.
Era então tempo de "esmagar" a uva pelo pé.
A principal actividade desta sociedade consistia na distribuição grossista
porta-a-porta de vinhos, azeites, queijos, chouriço, cafés, ananás
e outros bens de consumo alimentar, sendo o transporte inicialmente feito
por tracção animal. Em 1 de Julho de 1961, Américo Teles adquire a empresa sendo seu único
dono até à sua aposentação em 1990. Em meados dos Anos 60, abre uma divisão de retalho.
No dia de Feira Municipal, promove a "troca" com as Lavradeiras do Concelho.
A fronteira de Valença é durante e após a Guerra Civil espanhola uma plataforma
de subsistência e um entreposto ferroviário para a Galiza e Asturias.
A economia de guerra, o racionamento e a sobrevivência dos espanhóis passa por aqui.
Volfrâmio, tabaco, café, vinho, batata, sabão, produtos farmacêuticos, etc.
É na década de 60 que o desenvolvimento do comércio influência
decididamente o rumo da vida dos Valencianos. Surge uma casa comercial
que será pioneira e de referência para as elites espanholas. Pela
qualidade e estilo, a indústria têxtil nacional encontra aqui o melhor
catálogo para a exportação - a casa "Alvarinho". A burguesia
madrilena e em particular "las damas del franquismo", comandadas
por Dona Carmen Polo de Franco (Carmen Collares) de férias em Baiona
ou a banhos em Mondariz, eram os melhores clientes, dos têxteis,
porcelanas, cutelaria, tabaco, café, queijos, vinhos, etc. Várias marcas
ganharam prestigio por aqui: Coelima, Café Sical, Pomito Lencart,
Porto Ferreira, etc.
O “Armazém da Linha” afirmou-se no passado e resiste aos actuais donos
do mundo, merceeiros do consumo, engenheiros do “Quem não gasta não
conta e quem não tem, não é nada” ! Esta política expansionista onde
impera a grande distribuição é dirigida por uma elite que desde os anos
80 não reconhece o investimento que gerações fizeram pelo comércio,
pela sociedade, pelo país.
O "Armazém da Linha" estava localizado junto à passagem de nível da CP,
onde circulavam comboios de passageiros e de mercadorias entre
Porto-Valença-Monção e Porto-Valença-Vigo.
É um dos herdeiros desta empresa que dá continuidade ao passado e
investe no futuro. Com este site “LusaWines” participa na renovação
(on-line) do tecido empresarial da sua terra.
A propósito da iniciativa Perfil de Portugal que decorreu em Madrid,
a revista Tiempo de 23 de Outubro de 2000 escrevia: "Uno de cada dos
españoles no há estado jamás en Portugal. Ni para comprar toallas en
Valença do Minho. Nueve de cada diez no entienden una palabra de
portugués."
Afinal temos tudo por fazer...
António Teles
Foto, arquivo e fac-símile: AT.
Alguns nomes que se cruzaram connosco...