O momento e a localidade em que o homem bebeu
o primeiro trago de vinho continuam uma incerteza.
As antigas civilizações elegeram deuses como os dadores
do vinho, Dionísio na Grécia, Osíris no Egipto e Baco em Roma.
Outros partilham a opinião de que o vinho nasceu no Oriente.
Atribui-se ao último período da era terciária o surgimento
da videira, tendo esta surgido primeiro do que o Homem.
A viticultura inicialmente desenvolveu-se nas planícies da
Suméria e nas margens do Nilo. Contudo, foi por intermédio
dos Fenícios e dos Gregos que o vinho chegou à Europa.
Com a ocupação romana, a cultura do vinho consolidou-se
na Europa central. Sendo assim, as vinhas italianas
são de origem grega, as francesas de origem romana e
as espanholas de origem fenícia.
No que concerne ao nosso país, não se sabe
precisar quando é que o vinho surgiu, pensando-se
que as primeiras vinhas tenham sido cultivadas pelos Fenícios.
O nosso solo e clima, assim como as diferentes castas de cada
região permitiram, desde há muito tempo, a produção de vinhos
de alta qualidade e tipicidade. Por este motivo, Portugal foi
um dos primeiros países, se não mesmo o primeiro país do mundo
vitícola, a estabelecer e a regulamentar uma região demarcada,
a do Douro, por alvará régio em 1756.
Mais tarde, por carta de lei de 1907/1908, foi dado início ao
processo de demarcação e regulamentação das Regiões dos Vinhos Verdes,
Dão, Colares, Carcavelos, Bucelas, Moscatel de Setúbal e Madeira,
para além da região do Douro que actualmente contempla as denominações
de origem Porto e Douro. Posteriormente, e apenas em 1979, foi
reconhecida a denominação Bairrada.
Em 1980 foi reconhecida a denominação Algarve (mais tarde
regulamentada - 1990 - e substituída por quatro denominações Lagoa,
Lagos, Portimão e Tavira), tendo-se procedido então à sua demarcação.
Em 1986 foram reconhecidas as primeiras regiões do
Alentejo - Borba Redondo, Reguengos, Portalegre e Vidigueira - tendo
sido reconhecidas em 1991, Évora, Moura e Granja-Amareleja.
Também em 1986 foram reconhecidas, como denominações de origem
correspondentes aos vinhos de qualidade produzidos em zonas vitícolas
de interesse, as seguintes regiões: Chaves, Planalto Mirandês,
Valpaços, Castelo Rodrigo, Pinhel, Cova da Beira, Encostas de Nave,
Varosa, Lafões, Alcobaça, Encostas de Aire, Óbidos, Arrábida,
Palmela, Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Santarém, Tomar,
Alenquer, Arruda e Torres Vedras. Em 1994 obtiveram reconhecimento
de denominação Biscoitos, Graciosa e Pico.
Em Portugal, as vinhas estendem-se por todo o território nacional
e pelos arquipélagos, ocupando cerca de 400 mil hectares produzindo,
em média e por ano, cerca de 10 milhões de hectolitros de vinho,
o que nos coloca no 6º lugar mundial em área de vinha e no 7º lugar
em quantidade de vinho produzido.
Produtores de bons e variados vinhos, os Portugueses são também grandes
apreciadores e já foram os «melhores» bebedores per capita.
Não é portanto de surpreender que a cultura subjacente ao vinho seja
em Portugal particularmente rica. Tanto nas artes como na literatura,
a vinha e o vinho - que valeram a Portugal a designação de «País
das Uvas» - inspiraram artistas, prosadores e poetas, clássicos
e modernos. É, porém, na gastronomia que o nosso vinho causa maior impacto,
dado que as suas características adaptam-se aos mais variados pratos de
todas as culinárias, até das mais exóticas. Esta adaptação, caracterizada
pela diversidade do vinho português, deve-se às castas nobres regionais,
aos microclimas específicos de cada região vitivinícola e aos
processos tradicionais utilizados.
Não se pense no entanto que a produção do vinho em Portugal é apenas artesanal.
Aliada a esta técnica, que pouco se afasta da que foi praticada por Noé,
existe outra, tecnologicamente muito avançada, operada por computador e
servida por equipamento sofisticado (pertence já ao ano 2000).
Entre estas duas formas de produzir, existe um vasto leque de opções,
do que resulta um número elevado de vinhos diferentes uns dos outros, mesmo
quando têm por berço a mesma região.
Há ainda, porém, outra realidade importante a considerar: a grande paixão
que os agricultores portugueses desde sempre revelaram pela vitivinicultura.
Os nossos vinhos, clássicos ou modernos, pela sua qualidade e pelo
seu espírito, são o orgulho de quem os produz com saber e amor.