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   Noções sobre a vinha e o vinho em Portugal de Ceferino Carrera > Aula 8: Doenças e pragas da vinha Aula anteriorAula seguinte


Aula 8: Doenças e pragas da vinha

Tudo seria perfeito, num mundo vitícola feliz, se bastasse – independentemente dos caprichos da colheita – praticar uma boa viticultura para obter boas uvas e óptimos vinhos. Há, porém, temíveis inimigos que estão à espreita e que, se não forem combatidos, podem arruinar os pacientes esforços do viticultor.

São várias as doenças e pragas que afectam as vinhas causando estragos quando estas não são convenientemente tratadas.


Fungos

Míldio (Plasmora vitícola)

Doença que aparece em Portugal em 1881 (em França 1878). Esta doença é devida ao ataque de pequenas plantas (fungos) que não têm clorofila, necessitando viver à custa de outras plantas às quais sugam os alimentos já preparados.

Constitui a principal doença da videira, sendo a que actualmente mais estragos causa. Ataca todos os órgãos verdes e tenros da videira - folhas, pâmpanos, cachos até à altura de pintarem.

Primeiro sinal da doença - uma mancha de azeite nas folhas.

MíldioMíldio, uma vez instalado na videira, lança uns prolongamentos - Micélio - que se metem nos espaços intercelulares e sugam os sucos destas pelo que secam as partes atacadas.

efeitos do Míldio são muito mais nocivos do que aparentam no início do ataque, pois muitos estragos futuros são devidos à influência nefasta deste parasita que abre o campo a outros inimigos, como por exemplo, os bolores, que fazem apodrecer as uvas, e ao sol que as seca.

tratamentos devem fazer-se até que os bagos pintem, pois até essa ocasião estão sujeitos a contrais doença. Presentemente é a calda bordalesa (descoberta em 1885) a melhor forma de defesa contra o Míldio. Composição da calda bordalesa para 100 litros de água, 1 kg. de sulfato de cobre e 1 kg. de cal. Outros produtos, que se podem usar: oxi-cloreto de cobre, oxido cuproso, zinebe, captamo, etc.

O primeiro tratamento deve ser feito quando os pâmpanos têm cerca de 10 cm. Um outro antes da floração, um após o vingar dos frutos, mais dois quando os bagos têm já as dimensões dum grão de ervilha e um último 3 a 4 semanas depois dos anteriores. Todos estes tratamentos dependem essencialmente das condições atmosféricas ambientes.


Oídio ( Oídium-Tuckeri ou Uncinue Necator)

Doença que aparece em Portugal em 1862 (em França 1850). Esta doença é devida a um fungo que causa em alguns anos estragos comparáveis ao Míldio. O Oídio ataca sobretudo os cachos, mas também aparece nas folhas e nos Pâmpanos novos.

OídioDeve responsabilizar-se não só pelos estragos que directamente causa, como também pelo caminho que abre a outros parasitas que, como bolores, atacam o bago depois de rachado, apodrecendo. É designado vulgarmente por cinzeiro, poeira e pó.

Sobre a folha começa por se notar uma ligeira perda de cor que se verifica apenas quando se vê através da luz, como uns pontinhos escuros, cobrindo-se de uma enfeltrada que parece uma teia de aranha (micélio do fungo). Toma depois o aspecto pulverulento, de que lhe vem o nome (poeira, pó). Ataca as folhas tornando-as coriáceas e acabam por cair. Como também o cacho é atacado - manifesta-se pelo aparecimento de pó branco sujo, que pouco a pouco vai escurecendo, espalhando-se abundantemente.

Quando os bagos são pequenos e completamente atacados caem secos. Outras vezes racham, deixando as grainhas a descoberto. As vezes, quando a fenda não é funda, torna a cicatrizar desde que se faça parar a evolução do parasita. Os bagos atingidos ficam pequenos e duros, não amadurecem, dando, consequentemente, vinhos de fraca qualidade.

O Míldio distingue-se bem do Oídio. O Oídio é um parasita superficial que não penetra para o interior do órgão que ataca, como o Míldio. É por consequência, curável, enquanto que o Míldio não.

Enquanto que a mancha de azeite do Míldio se vê dos dois lados das folhas, a do Oídio, pelo menos a princípio, só se vê do lado atacado, geralmente o lado inferior, tendo o aspecto de feltro branco sujo e depois cinzento, cheirando a mofo. As manchas de Míldio são translúcidas, ao passo que as de Oídio notam-se com dificuldade contra a luz.

De entre os meios de luta contra o Oídio usa-se o enxofre e os seus derivados. Nos tratamentos preventivos é aconselhável o primeiro tratamento ser feito na altura da floração, o 2º cerca de duas semanas depois do vingar dos frutos e o 3º um mês depois dos anteriores. Todos estes tratamentos dependem do decorrer da estação atendendo especialmente às variações de temperatura. Os tratamentos curativos efectuam-se logo que se dê o aparecimento da doença. Por vezes efectua-se tratamentos mistos contra o Míldio e o Oídio, incorporando o enxofre na calda bordalesa. Além do enxofre vulgar podem também empregar-se enxofres molháveis e o Dinocape.


Fumagina (Capnodium Salicinum)

A fumagina ou ferrugem pode atingir os cachos, as folhas, os sarmentos e os troncos podendo levar ao definhamento das cepas devido à redução da assimilação clorofilina e transpiração das folhas. Raramente aparece isoladamente, estando sempre os seus ataques associados aos do algodão. Os ataques são mais acentuados nas zonas húmidas, sombrias e pouco arejadas.

Os tratamentos fazem-se com insecticidas tais como o Malatião, Carbonil, Lindano, etc.


Insectos

Algodão (Pseudococcus citri)

PseudococcusA sua acção vai-se fazendo sentir a pouco e pouco, originando o definhamento das cepas porque lhe absorve a seiva; provoca o aparecimento da ferrugem e atrai as formigas. Surgem formações esbranquiçadas lembrando flocos de algodão que protegem o insecto. Aparece nas folhas, especialmente na axila, nas varas já velhas e no cacho. Os bagos não atingem então a maturação completa ficando com sabor desagradável.

O seu combate é difícil porque se desenvolve numa fase em que o ataque se torna mais dispendioso e de efeitos mais contingentes, utilizando-se contudo o Malatião, Carbonil e Lindano.


Filoxera (Phulloxera Vastatrix)

Praga que aparece em Portugal em 1872, procedente da América do Norte, segundo se julga. Insecto quase invisível a olho nu, estabelece-se nas raízes da cepa, picando-as com a tromba - chupadoura para se alimentar com o seu suco - fazendo com que esta fique mole e apodreça.

As cepas que circundam o primeiro foco de infecção debilitam-se, amarelecem progressivamente até que, por fim, são completamente dessecadas. Quando a parte atacada tem uma certa extensão e quando a doença está suficientemente intensa, em vez de um centro de ataque, encontram-se diversos desses centros. Observa-se, ao mesmo tempo, que a filoxera, autora dessas graves desordens, não se demora nunca sobre as raízes que começam a decompor-se. Desde que um determinado ponto apodrece, transfere-se imediatamente para outro. Numa palavra, produz a podridão procede-a sem desfalecimento, porém, nunca a acompanha. Até hoje nenhuma das castas das nossas vinhas - algumas delas bastante ricas - têm sido poupadas por esta terrível: praga da Vinha.

Maneira de combater esta praga: a aplicação dos insecticidas tem sido tentada com tenacidade. Nenhum deles, porém, tem conseguido alcançar completos resultados. Os melhores resultados têm sido conseguidos com a plantação da vinha em terrenos arenosos e terrenos não arenosos mas inundados de água durante os meses de Outubro e Novembro; ou então, plantar bacelos americanos e depois enxertá-los com as nossas especializadas castas (Vitis - Vinifera).



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