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A denominação de origem controlada da Bairrada abrange:
- Todas as freguesias dos concelhos de Anadia, Mealhada e Oliveira do Bairro.
- As freguesias de Aguada de Baixo, Aguada de Cima, Águeda, Barro, Belazaime, Espinhel, Fermentelos, Ois da Ribeira, Recardães e Valongo do Vouga, do concelho de Águeda.
- A freguesia de Nariz, do concelho de Aveiro.
- As freguesias de Ança, Bolho, Cadima, Cantanhede, Cordinhã, Covões, Febres, Murtede, Ourentã, Outil, Pocariça, Portunhos, Sepins, Corticeiro de Cima, Sanguinheira, São Caetano e Vilamar do concelho de Cantanhede.
- As freguesias de Souselas, Trouxemil, Vil de Matos e Botão do concelho de Coimbra.
- As freguesias de Covão de Lobo, Duca e Sosa do concelho de Vagos.
As vinhas destinadas à produção de vinhos de denominação de origem controlada devem estar instaladas em solos calcários pardos ou vermelhos, solos litólicos húmicos ou não húmicos de podzóis de materiais arenáicos pouco consolidados.
Castas recomendadas para vinhos tintos e rosados
Baga ou Poeirinha
Castelão
Morete
Tinta Pinheira
Que no conjunto ou separadamente, deverão representar 80% do encepamento, não podendo a casta Baga representar menos de 50%.
Castas Autorizadas
Água Santa
Alfrocheiro Preto
Bastardo
Preto Mortágua
Trincadeira
Jean
Castas Recomendadas Brancas
Maria Gomes
Arinto
Bical
Rabo de Ovelha
Cercial
No conjunto ou separadamente com um mínimo de 80% do encepamento.
Castas Autorizadas
Cercialinho
Chardonnay
Castas Recomendadas para vinhos base destinados a espumante natural
Arinto
Baga
Bical
Maria Gomes
Rabo de Ovelha
Cercial
Casta Autorizadas
Água Santa
Alfrocheiro Preto
Bastardo
Castelão
Cercialinho
Chardonnay
Jean
Moreto
Preto Mortágua
Tinta Pinheira
Trincadeira
As vinhas devem ser estremes, conduzidas em cordão, com poda em vara e talão, com uma carga máxima de 50 000 gomos por hectare, não devendo a densidade de plantação por hectare ser inferior a 3000 plantas.
Os vinhos devem provir de vinhas com, pelo menos, quatro anos de enxertia e a sua elaboração deverá decorrer dentro da zona respectiva, em adegas inscritas e aprovadas para o efeito, que ficarão sob o controlo da CVRB. O método tecnológico a utilizar na preparação dos vinhos espumantes naturais com denominação de origem Bairrada será o método de fermentação clássica em garrafa.
Os vinhos - base para espumante e os rosados ou rosés devem ser elaborados segundo o processo denominado de bica-aberta ou seja por vinificação de mosto de uvas frescas, obtido por prensagem directa, esgotamento e prensagem, ou ainda por um processo de maceração muito breve.
A produção máxima por hectare para vinhos tintos será de 55 hl; para vinhos brancos, espumantes naturais e rosados ou rosés é de 70 hl.
Degustação analítica
Bairrada Tinto
O vinho tinto da Bairrada apresenta-se, de um modo geral, de aspecto límpido, de cor rubi semi encorpado, bem equilibrado, por vezes ligeiramente nervosos quando jovens. Ao tratar-se de um Reserva ou Garrafeira a cor é de um granada profundo com um “bouquet” maravilhoso; aveludado, generoso, possuindo um sabor delicado e suave, bem como uma finura excelente. De muito longa conservação, pode preservar todas as suas qualidades ao fim de 20 anos de engarrafamento.
Os vinhos a comercializar com denominação de origem só podem ser engarrafados com o estagio mínimo a contar da data de elaboração de 18 meses para os vinhos tintos, não considerando qualquer estágio para os vinhos brancos e rosés. O estágio de vinhos tintos deverá decorrer nas próprias adegas de vinificação ou em instalações dos armazenistas exportadores, nos termos a definir pela citada entidade.
Os vinhos espumantes naturais só podem ser comercializados depois de 9 meses após a data de enchimento.
Os vinhos de denominação de origem devem apresentar um titulo alcoométrico volúmico adquirido de 11% vol.
No que concerne o grau de doçura dos vinhos espumantes naturais, só podem ser utilizadas as indicações tradicionais: bruto, seco e meio seco.
O clima desta região é caracterizado como mediterrânico atlântico, com uma queda pluviométrica média anual entre 900/1000 mm.
As castas brancas são vinificadas de bica-aberta e as fermentações dão-se abaixas temperaturas. Quanto às tintas são vinificadas de curtimenta com separação dos engaços.
Bairrada Branco
Os vinhos da Bairrada brancos são de cor citrina, muito aromáticos, finos, de sabor frutado quando jovens, mas, quando envelhecidos Garrafeira ou Reserva a sua cor torna-se dourada, brilhante, de aromas terciários, que fazem lembrar os bosques floridos na Primavera. Na boca, são muito finos e de um aveludado e graça que os torna muito femininos.
Com o Decreto-Lei Nº 70, de Fevereiro de 1991, é confirmada como denominação «Bairrada», a qual só pode ser usada para a identificação dos vinhos brancos, rosados, tintos e espumantes naturais, produzidos na respectiva área delimitada.
Só podem ser utilizadas garrafas com capacidade igual ou inferior a 2 litros, admitindo-se exclusivamente para efeitos de publicidade, e após a análise casuística, a autorização de capacidade superior.
Dados históricos
A Bairrada é uma região antiquíssima e já no tempo da ocupação romana a região era habitada, passando nela a via militar Emília a Cale, segundo documentos históricos, é muito antiga a existência de vinhos na Bairrada, pois já no século X e XI aparecem referências às vinhas de Ventosa, Portunhos, Anção, etc.
No livro dos testamentos de Lorvão vem a noticia de no ano 950 ser doada ao mosteiro de Lorvão uma vinha na Silvã, no concelho da Mealhada. A tradição e a fama dos vinhos da Bairrada remontam ao início da fundação do País, pois, segundo documentação existente, refere-se que D. Afonso Henriques autorizou a plantação da vinha na região, com a condição de lhe ser dada uma quarta parte do vinho produzido.
Mais tarde, no reinado de D. Manuel, todos os forais referentes à povoação da Bairrada falam dos seus vinhedos. Em 1599, Duarte Nunes de Leão fez referências à qualidade dos vinhos de Cantanhede; no século XVIII, o padre Carvalho da Costa destaca a boa qualidade dos vinhos da Mealhada e Anadia.
Ao longo dos anos, a viticultura torna-se florescente na região, mas o Marquês de Pombal condiciona a sua cultura ordenando mesmo o arranque da maior parte das vinhas, o que provocou grave golpe na viticultura da Bairrada. Somente no reinado de D. Maria I, foi levantado o condicionamento da cultura da vinha, atingindo nesta época a viticultura regional destacada projecção e dando-se início ao comércio dos vinhos, exportando-se grandes quantidades, através do porto da Figueira da Foz, para os mercados do Brasil, América do Norte, França e Inglaterra.
Novamente a viticultura se recompõe graças à competência profissional e poder de criação dos seus viticultores e agrónomos que conseguem vencer a crise, dando à viticultura Bairradina grande projecção, sendo de destacar a acção do engenheiro Tavares da Silva que, na estação vitivinícola de Anadia, iniciou no final do século XIX o fabrico dos espumantes naturais, que grande influência vieram a ter no prestígio e na economia regional.
A Bairrada é de longa data conhecida como produtora de vinhos de qualidade, foi considerada como produtora de vinhos regionais por diplomas publicados em 1907-1908 e, finalmente, em finais de 1979 foi-lhe reconhecida, a designação de Bairrada.
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